Redes sociais e saúde mental: impactos psicológicos e como lidar de forma saudável

Redes sociais e saúde mental: impactos psicológicos e como lidar de forma saudável

As redes sociais fazem parte da rotina da maioria das pessoas. Elas conectam, informam, divertem e aproximam. Mas, ao mesmo tempo, também podem intensificar comparações, ansiedade, impulsividade e sensação de inadequação. Na clínica, é cada vez mais comum ouvir frases como: “eu me sinto pior depois de ficar nas redes” ou “não consigo parar de checar o celular”.

Entender o impacto das redes sociais na saúde mental é essencial para que o uso deixe de ser automático e passe a ser mais consciente. 

Como as redes sociais afetam a saúde mental

1. Comparação constante

Nas redes, as pessoas costumam mostrar recortes idealizados da vida: corpos perfeitos, relacionamentos felizes, produtividade extrema. O problema não é ver, mas acreditar que aquilo representa a realidade completa.

Quando alguém pensa: “todo mundo está melhor que eu”, tende a sentir tristeza, ansiedade ou desvalorização, o que pode levar ao isolamento ou à busca excessiva por validação.

A comparação frequente pode fortalecer crenças como:

  • “Não sou suficiente.”
  • “Estou atrasado na vida.”
  • “Preciso ser melhor para ser aceito.”

2. Busca por validação externa

Curtidas, visualizações e comentários funcionam como pequenos reforçadores emocionais. O cérebro aprende rapidamente que postar e checar gera alívio ou prazer momentâneo.

Com o tempo, isso pode virar dependência da aprovação dos outros. A pessoa passa a regular o próprio valor a partir da resposta externa, e não de critérios internos.

Na DBT, falamos muito sobre regulação emocional. Quando a emoção depende só do ambiente (como a reação nas redes), ela fica instável e vulnerável.

3. Ansiedade e hiperestimulação

O excesso de informação, notificações e conteúdos rápidos mantém o cérebro em estado de alerta constante. Isso pode gerar:

  • Dificuldade de concentração;
  • Sensação de urgência;
  • Irritabilidade;
  • Cansaço mental.

Muitas pessoas não percebem que não estão apenas “usando o celular”, mas estimulando o sistema nervoso o tempo todo.

4. Impulsividade

Na DBT, a impulsividade é um tema central. As redes facilitam respostas rápidas: postar sem pensar, responder no impulso, comprar por influência, comparar-se e agir emocionalmente.

Quando não há pausa entre emoção e ação, surgem comportamentos que depois geram culpa, arrependimento ou mais sofrimento.

Como construir uma relação mais saudável com as redes

Algumas práticas simples e terapêuticas:

  • Observe como você se sente depois de usar as redes.
  • Questione pensamentos automáticos de comparação.
  • Crie pausas antes de postar ou responder.
  • Estabeleça momentos do dia sem tela.
  • Busque fontes de validação interna, não apenas externa.
  • Use as redes como ferramenta, não como termômetro do seu valor.

Pequenas mudanças no uso já produzem grande impacto emocional.

Enfim...

As redes sociais não são vilãs, mas também não são neutras. Elas interagem diretamente com nossos pensamentos, emoções e comportamentos. O objetivo não é se desconectar do mundo digital, mas se reconectar consigo.

Se você percebe que as redes estão afetando sua autoestima, sua ansiedade ou seus relacionamentos, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para entender esses padrões e construir novas formas de se relacionar com o mundo  online e offline.